Ginkgo Biloba: Para Que Serve, O Que Diz a Ciência e Quais os Cuidados

O Ginkgo biloba é frequentemente associado à memória, ao cérebro e à circulação. É fácil encontrar produtos com essa planta acompanhados de promessas relacionadas à concentração, ao envelhecimento e ao desempenho mental.

Mas a popularidade do ginkgo não significa que todas essas promessas tenham sido comprovadas.

As pesquisas disponíveis não demonstram, por exemplo, que o ginkgo previna a doença de Alzheimer ou outras formas de demência. Também não há evidência conclusiva de que melhore o desempenho cognitivo de pessoas saudáveis.

Além disso, Ginkgo biloba pode causar efeitos adversos e interagir com medicamentos.

Por isso, vale entender o que é o ginkgo, quais usos foram estudados e quais cuidados devem ser considerados antes de utilizá-lo.

O que é Ginkgo biloba?

Ginkgo biloba L. é uma árvore de origem asiática conhecida por suas folhas características em formato de leque.

É uma espécie muito antiga e frequentemente chamada de “fóssil vivo”.

Para fins medicinais, a folha é uma das partes utilizadas, geralmente na forma de extratos.

E aqui existe uma diferença importante:

um extrato medicinal padronizado não é necessariamente equivalente a um chá caseiro, à planta bruta ou a qualquer suplemento comercializado como ginkgo.

O Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, da Anvisa, descreve formas farmacêuticas contendo extrato padronizado das folhas secas, com especificações próprias de composição.

Para que serve o Ginkgo biloba?

Essa pergunta não tem uma resposta simples como “serve para melhorar a memória”.

O ginkgo tem sido estudado para diferentes condições, entre elas comprometimento cognitivo, demência, ansiedade, distúrbios circulatórios e zumbido.

Porém, os resultados das pesquisas não permitem transformar todas essas possibilidades em benefícios comprovados.

O NCCIH, órgão dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos dedicado à saúde complementar e integrativa, informa que atualmente não existe evidência conclusiva de benefício do ginkgo para qualquer condição de saúde.

Isso não significa que todos os estudos tenham apresentado resultados negativos.

Algumas pesquisas encontraram possíveis benefícios em situações específicas e com determinadas preparações, mas os resultados são inconsistentes.

Ginkgo biloba melhora a memória?

Essa é provavelmente a alegação mais conhecida sobre a planta.

Muitas pessoas utilizam produtos de ginkgo esperando melhorar memória, concentração ou desempenho nos estudos.

As evidências, entretanto, não permitem afirmar que suplementos de ginkgo melhorem o desempenho cognitivo de pessoas saudáveis.

Segundo o NCCIH, ainda é incerto se o ginkgo influencia o desempenho cognitivo em pessoas saudáveis, e parte das pesquisas disponíveis nessa área apresenta limitações.

Por isso, expressões como:

  • “potencializa a memória”;
  • “fortalece o cérebro”;
  • “melhora o raciocínio”;
  • “aumenta a concentração”;

não devem ser apresentadas como benefícios comprovados.

Ginkgo biloba previne Alzheimer?

Não há evidência conclusiva de que o Ginkgo biloba previna a doença de Alzheimer ou outras formas de demência.

Um grande estudo clínico conhecido como GEM acompanhou mais de 3 mil idosos e não encontrou redução na ocorrência de demência ou Alzheimer entre os participantes que receberam ginkgo em comparação com placebo.

Algumas pesquisas com extratos específicos encontraram possíveis benefícios modestos em determinados sintomas de pessoas que já apresentavam comprometimento cognitivo ou demência.

Os resultados, porém, são inconsistentes e não significam que a planta previna a doença.

Portanto, ginkgo não deve ser apresentado como forma comprovada de prevenção do Alzheimer nem como substituto do acompanhamento médico.

Ginkgo biloba serve para ansiedade?

Alguns estudos investigaram o ginkgo para sintomas de ansiedade.

O NCCIH informa que existe uma pequena quantidade de evidências sugerindo possível benefício em algumas condições, incluindo ansiedade, mas as evidências gerais não são conclusivas.

Por isso, não é adequado dizer simplesmente que o ginkgo “combate a ansiedade”.

Sintomas persistentes ou intensos precisam ser avaliados adequadamente.

E para depressão?

O Ginkgo biloba não deve ser apresentado como tratamento comprovado para depressão.

A depressão pode exigir acompanhamento e tratamento específicos, e utilizar uma planta ou suplemento por conta própria não deve substituir o cuidado indicado por um profissional.

Ginkgo biloba melhora a circulação?

Este assunto exige mais precisão do que simplesmente dizer que a planta “melhora a circulação”.

O Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira registra indicações relacionadas a determinados distúrbios circulatórios para preparações fitoterápicas específicas de ginkgo.

Isso é diferente de afirmar que qualquer produto contendo ginkgo melhora a circulação.

A preparação, padronização e indicação fazem diferença.

Portanto, resultados ou indicações relacionados a um extrato medicinal específico não devem ser automaticamente atribuídos a qualquer cápsula, chá ou preparação caseira.

Ginkgo biloba serve para zumbido no ouvido?

Aqui existe uma aparente diferença entre referências que merece ser explicada.

O Memento Fitoterápico da Anvisa registra indicação relacionada a vertigem e zumbido resultantes de distúrbios circulatórios para preparações específicas.

Por outro lado, a avaliação atual apresentada pelo NCCIH afirma que as pesquisas não demonstram que o ginkgo seja útil para aliviar sintomas de tinnitus, o zumbido no ouvido.

Isso reforça a importância de não transformar uma indicação de uma preparação fitoterápica específica em uma promessa geral de que “ginkgo cura zumbido”.

O zumbido também pode ter diferentes causas e merece avaliação profissional, especialmente quando surge de repente, persiste ou aparece acompanhado de outros sintomas.

Como tomar Ginkgo biloba?

Não existe uma dose que deva ser recomendada neste artigo para qualquer produto de ginkgo.

O motivo é simples: os produtos e preparações não são necessariamente iguais.

O Memento da Anvisa traz posologias para formas farmacêuticas e extratos específicos e classifica o fitoterápico descrito no documento como de prescrição médica.

Por isso, a orientação mais segura é:

siga a bula do medicamento ou as orientações específicas do produto regularizado e do profissional responsável.

Não aumente a quantidade por conta própria esperando obter resultados melhores.

Chá de Ginkgo biloba é igual ao extrato?

Não.

Grande parte das pesquisas e documentos técnicos sobre uso medicinal se refere a extratos específicos e padronizados.

Preparar folhas em água não produz automaticamente a mesma concentração e composição química desses extratos.

Portanto, resultados encontrados em pesquisas realizadas com determinado extrato não devem ser automaticamente atribuídos ao chá caseiro.

Ginkgo biloba pode causar efeitos colaterais?

Sim.

Ser uma planta não significa ser livre de efeitos adversos.

Entre os efeitos associados ao uso de extratos de ginkgo estão:

  • dor de cabeça;
  • tontura;
  • desconfortos gastrointestinais;
  • reações alérgicas.

A documentação da Anvisa também registra outros eventos adversos e alerta para questões relacionadas a sangramentos.

Ginkgo biloba pode interagir com medicamentos?

Sim, e esse é um dos pontos mais importantes antes de utilizar a planta.

A Anvisa descreve diversas possíveis interações medicamentosas envolvendo preparações de Ginkgo biloba, incluindo situações relacionadas a anticoagulantes, antiplaquetários e outros medicamentos.

O NCCIH também alerta para possíveis interações e para o risco de sangramento, especialmente em pessoas que utilizam anticoagulantes como a varfarina.

Portanto, quem utiliza medicamentos continuamente não deve começar a usar ginkgo sem verificar possíveis interações com um profissional de saúde.

Quem precisa ter cuidado com Ginkgo biloba?

O cuidado é especialmente importante para pessoas que:

  • utilizam anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários;
  • apresentam problemas relacionados à coagulação;
  • utilizam medicamentos continuamente;
  • têm histórico de crises convulsivas;
  • estão grávidas ou amamentando;
  • têm cirurgia ou procedimento programado.

O Memento Fitoterápico da Anvisa apresenta contraindicações e precauções específicas, incluindo gravidez, lactação, menores de 12 anos, situações envolvendo coagulação e histórico de crises convulsivas.

As contraindicações exatas devem sempre ser verificadas para o produto específico.

Ginkgo precisa ser suspenso antes de cirurgia?

Essa é uma questão importante.

O Memento Fitoterápico da Anvisa orienta que o uso da preparação de Ginkgo biloba descrita no documento seja suspenso pelo menos três dias antes de procedimentos cirúrgicos.

Se você utiliza ginkgo e tem uma cirurgia ou procedimento programado, informe ao médico todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos utilizados.

Não faça mudanças em tratamentos prescritos sem orientação profissional.

As sementes de ginkgo podem ser consumidas?

Não trate sementes, folhas e extratos como se fossem equivalentes.

O NCCIH alerta que sementes frescas de ginkgo são tóxicas quando ingeridas e que efeitos graves também já ocorreram após o consumo de sementes torradas ou da planta bruta.

Portanto, não tente reproduzir preparações caseiras utilizando partes da planta sem conhecimento adequado.

Natural significa seguro?

Não.

Uma substância de origem natural também pode produzir efeitos biológicos no organismo.

Plantas medicinais podem apresentar:

  • efeitos adversos;
  • contraindicações;
  • interações medicamentosas;
  • riscos relacionados à quantidade utilizada;
  • diferenças importantes entre preparações.

O ginkgo é um bom exemplo de por que “natural” não deve ser tratado como sinônimo de “seguro para todo mundo”.

Ginkgo biloba substitui tratamento médico?

Não.

Não interrompa medicamentos prescritos para demência, ansiedade, depressão, problemas circulatórios ou qualquer outra condição para utilizar ginkgo por conta própria.

Isso também vale para alterações de memória.

Esquecimentos frequentes, progressivos ou acompanhados de outros sintomas podem ter diferentes causas e merecem avaliação adequada.

Perguntas frequentes

Ginkgo biloba melhora a memória?

Não há evidência conclusiva de que suplementos de ginkgo melhorem o desempenho cognitivo de pessoas saudáveis.

Ginkgo previne Alzheimer?

Não há evidência conclusiva de que previna ou retarde o desenvolvimento de demência. Grandes estudos não demonstraram esse efeito preventivo.

Ginkgo serve para zumbido?

Não deve ser apresentado como tratamento comprovado para qualquer tipo de zumbido. O NCCIH informa que as pesquisas não demonstram benefício para aliviar tinnitus, enquanto o Memento da Anvisa registra indicação específica relacionada a zumbido decorrente de distúrbios circulatórios para determinadas preparações.

Ginkgo pode aumentar o risco de sangramento?

Há preocupação especialmente em determinadas situações e quando existe uso concomitante de medicamentos que afetam a coagulação.

Posso tomar ginkgo junto com outros medicamentos?

Não é prudente iniciar sem verificar possíveis interações. A Anvisa descreve várias interações possíveis envolvendo preparações de ginkgo.

Quanto tempo demora para fazer efeito?

Não existe um prazo universal que possa ser aplicado a qualquer produto ou finalidade. Além disso, algumas das alegações populares atribuídas ao ginkgo não possuem eficácia comprovada.

Conclusão

O Ginkgo biloba é uma planta antiga e bastante conhecida, mas sua popularidade acabou criando promessas maiores do que as evidências disponíveis conseguem sustentar.

Não é correto afirmar, de maneira geral, que ginkgo melhora a memória, previne Alzheimer, cura zumbido ou trata ansiedade.

Ao mesmo tempo, isso não significa que a planta não tenha sido estudada ou que não existam preparações fitoterápicas específicas com indicações reconhecidas.

A diferença está justamente aí: uma preparação medicinal padronizada não deve ser confundida com qualquer suplemento, chá ou produto artesanal contendo ginkgo.

Também existem contraindicações, possíveis efeitos adversos e interações medicamentosas.

Por isso, quando o assunto é Ginkgo biloba, informação responsável é muito mais útil do que promessas de uma “planta milagrosa”.

Fonte principal

ANVISA — Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/farmacopeia/formulario-fitoterapico